Mais uma vez eu voltarei a esse assunto, porque uma vez mais ele volta a bater na minha porta (ou ao meu email). Uma vez mais essa semana, após haver fechado a editora em 2013 (há praticamente dez anos), eu recebo um e-mail pedindo análise de um original.
Você pode achar que tudo bem, mas pense bem, é normal que o autor não tome o devido cuidado de sequer verificar se a editora para a qual ele está enviando o original continua em funcionamento. Sem considerar que, ao ignorar que a editora deixou de existir, o escritor enviou sem saber se a editora está recebendo originais e provavelmente se ela realmente publica obras como a dele, ou seja…
Na realidade o que me incomodou mais uma vez não foi o fato de o original haver sido enviado a uma editora que não mais existe, mas novamente o que havia na mensagem e como foi enviada.
Começando do final, ela foi enviada para treze editoras, nove de pequeno e médio porte e quatro de grande, com cópia aberta. Ou seja, todos que abrirem o email irão ver para quais outras empresas o original foi enviado.
Eu acho engraçado que o escritor reclame quando as editoras o tratem como um qualquer, retornando a análise de seu original com uma carta padrão, quando ele mesmo trata a editora como uma qualquer.
Isso sem falar que do original dele que estamos falando! Se ele não quer ou tem disponibilidade para enviar treze mensagens diferentes, pelo menos tenha a decência de enviar a mensagem com cópia oculta, para que o profissional que recebe os emails da editora tenha a ilusão de que o material foi enviado só para ele. Isso sem contar que tem editoras grandes que exigem exclusividade em suas análises.
Para piorar ao invés de algum modelo padrão, apresentação do autor, descrição ou resumo da obra, indicação de gênero literário ou público-alvo, o escritor envia uma linha que diz que a obra em questão “fantástica”, “analisa grandes segredos” e “fará um imenso sucesso”. Só isso!
É como eu comentei recentemente em relação ao excesso de ego, ou troca do profissionalismo por ele. Porque tenha dó!
Inclusive, aproveitando o assunto, vou falar um pouco a respeito do Book-Proposal, um modelo de apresentação que as editoras internacionais, e algumas nacionais estão utilizando.
Recentemente eu vi reclamações a respeito da imposição deste novo formato. Vou ter de ser sincero e dizer que não verifiquei efetivamente quem estava reclamando, porque acredito que não se trate de um profissional, ou de alguém que saiba o que vem a ser o modelo.
Eu já ouvi muito a respeito, e como editor eu sei, da quantidade de originais que uma editora recebe mensalmente. Dependendo do tamanho esse número pode variar de trinta a trezentos originais, às vezes até mais. E não há equipe o bastante, seja numa pequena seja numa grande, capaz de analisar essa quantidade de obras.
Em seu nível mais básico, o Book Proposal é um documento de vendas. Um veículo pelo qual escritores, em especial os iniciantes, vendem seus livros para os editores.
O meio editorial é, antes de qualquer coisa, um negócio. É improvável que um editor com quem você ainda não tem um relacionamento vai perder tempo lendo um manuscrito inteiro. Por isso existe o Book Proposal. Ele é uma proposta que tem como objetivo convencê-los de que eles terão retorno com o livro. Por isso ele deve convencer os editores, e outros tomadores de decisão, no processo de aquisição livro, de que você conhece não só o tema sobre o qual está escrevendo, mas também seu mercado, seu público. E como eu já disse: o que seu livro tem que nenhum mais tem.
Mas como é o Book Proposal?
Em quatro ou cinco páginas ele deve ter um sumario com o tema, o gênero e o público alvo; uma descrição que possui desde o resumo da obra em uma frase, uma sinopse para o leitor (no estilo do que se vê em qualquer quarta capa de livro) e o tamanho do texto com número de páginas, de palavras, de toques com espaço; um resumo com começo, meio e fim da história descrevendo cada capítulo em no máximo um parágrafo; quaisquer informações adicionais sobre o projeto, como fotos, mapas, etc.; e finalmente suas credenciais.
Eu não sei você, mas pessoalmente considero qualquer ferramenta que ajude a vender uma ideia uma boa coisa.