A PRESSÃO DO SUCESSO… E DO FRACASSO LITERÁRIO

Há algum tempo eu estava conversando com alguns profissionais do mercado editorial a respeito de um artigo que comentava sobre o sucesso do primeiro livro da autora Emma Cline, The Girls, em 2016 e de como deve ser apavorante para qualquer escritor, apesar de ser o sonho de muitos, ver sua primeira publicação se tornar um best-seller. Isso, pois ele ou ela imediatamente sentirão a pressão de continuar escrevendo obras daquela magnitude.

Não podemos esquecer que um best-seller não necessariamente quer dizer que a obra tenha qualidade. Muitas vezes isso é simplesmente o resultado de uma excelente divulgação e um bom marketing. É claro que isso não quer dizer que a obra não dialogue com seu público, assim como que ela não tenha um tema que chame a atenção dos leitores. De qualquer modo, eu tenho que concordar que, seja devido à capacidade do autor de escrever algo que interaja com seus leitores, seja devido à divulgação e ao marketing, efetivamente recai sobre o escritor o peso de se manter no topo após o primeiro sucesso.

A grande questão que essa colocação trás, transformando-a, como eu comentei, numa dualidade deveras interessante, é que a mesma pressão que sente o autor que se torna um best-seller em sua primeira publicação também sente o escritor que nem publicar seu primeiro original consegue. Ou se consegue que o mesmo mal chegue às livrarias e seja conhecido pelo público.
Porque se por um lado imaginar-se um autor bem sucedido todos conseguem, ao menos em parte, pois sempre recai no escritor a pressão de escrever um novo best-seller em num ano ou dois anos, quando muitas vezes o primeiro levou bem mais do que isso. O George R.R. Martin está demorando mais de seis para terminar a saga que deu origem à série Guerra dos Tronos.
E o problema é que se isso não acontece o autor e o livro normalmente são esquecidos.
Afinal imagine ou fale com quem vivenciou a experiência de ter seu original recusado inúmeras vezes e mesmo assim busca continuar escrevendo. É uma sensação que a maioria dos escritores conhece.

E se isso é comum lá fora, é pior aqui no Brasil onde as editoras preferem gastar milhões em obras cuja divulgação e marketing já foram devidamente trabalhados, e que muitas vezes o sucesso está garantido, inclusive com um filme ou série sendo produzido, do que efetivamente descobrir um escritor que esteja trabalhando um tema que o mercado esteja buscando e efetivamente investir nele do zero. Algo que, inclusive, já comentamos mais de uma vez aqui.

Evidentemente que, até como editor e leitor crítico que sou, sei que a maioria dos escritores que está começando, especialmente aqui no Brasil, que em o meio literário/editorial, pela falta de cursos ou profissionais sérios, também não propicio, são muito ruins.
É como diz um ditado do meio de corridas de cavalos que “um garanhão precisa ser quebrado para alcançar seu potencial.” Ou seja, ele precisa ser treinado, aprender a ter disciplina e até mesmo passar por um período de dor de modo a superar sua imaturidade (como escritor), assim como o egoísmo de achar que qualquer coisa que coloque no papel se tornará ouro.
Mesmo assim existem muitos escritores de qualidade que sequer conseguem chegar ao grande público e seus livros, apesar de excelentes, não só jazem no esquecimento, como eles continuam, ou tentam continuar escrevendo apesar da pressão, que mesmo sendo contrária à que sente o best-seller, nem por isso é menos intensa, de saber se o que escrevem é efetivamente bom.

É claro que, no caso do best-seller, ao menos temos de considerar que ter milhões de dólares na conta, como aconteceu com a autora acima mencionada, ajuda muito! Mesmo assim não perca a esperança nunca!

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