No artigo passado eu comecei a discorrer a respeito do retorno de um artigo de 2013 de um blog falando a respeito do que ele imaginava serem os “clichês dos escritores brasileiros de literatura fantástica”, como se os mesmos também não fossem de diversos autores amadores pelo mundo, que ele não deve conhecer porque provavelmente não lê em inglês.
De qualquer modo, como sou contra esse tipo de crítica que só fala mal, mas não ajuda, eu terminarei de comentar essa malfadada lista e depois tecerei alguns comentários a respeito do que o escritor deve fazer para não cair nestas armadilhas. Vamos ao restante da lista então:
Outra crítica que pessoalmente eu creio que não passa de um profundo complexo de vira-latas é a que fala mal do escritor nacional influenciado por Tolkien.
É mentira? Não!
Mas escritores de fantasia do restante do mundo também são. Assim, vamos colocar as coisas num contexto e ver que não são clichês nacionais, mais em sua maioria mundiais de autores amadores, os quais poucas pessoas no Brasil têm acesso simplesmente porque o que chega aqui em sua maioria são best-sellers. Mesmo assim um excelente exemplo de obra ruim baseada em Tolkien e que não só foi traduzida como foi para os cinemas é Eragon. Precisa dizer mais?
Outro “clichê” mencionado é sobre as trilogias. E olha que nesse ponto eu não só concordo que neste ponto a crítica é válida, como já fiz até vídeo falando a respeito.
Eu mesmo não só critico quem faz isso, como tenho uma piada, colocando os editores de literatura fantástica devem amaldiçoar Tolkien por ter colocado na cabeça dessa nova geração a “febre das trilogias”. Mas falando sério, uma vez mais isso não só não é uma coisa dos escritores nacionais, o problema é que inúmeros sucessos editoriais atuais, como Sombra e Ossos e muitos outros são trilogias, de modo que a única coisa que o escritor está fazendo é imitando o que as editoras estão lançando. E ao fazerem isso terminam criticados pelo mesmo mercado que absorve inúmeras trilogias importadas.
Outra crítica descabida é a da criação de mundos (assunto que novamente já comentei inúmeras vezes em artigos, vídeos, cursos e palestras). Uma vez mais inúmeros autores mundo afora fazem o mesmo e quando o pobre escritor nacional tenta fazer é massacrado por se utilizar de “clichê”. Ou seja, se você autor nacional quiser escrever fantasia medieval, você está perdido, porque não pode criar um mundo e nem colocar sua história acontecendo na Europa Medieval. Uma vez mais o interessante é que inúmeros autores internacionais fazem isso, de George R. R. Martin com usa Guerra dos Tronos à Christopher Paolini e o já citado Eragon (que também é uma trilogia), ambos nascidos nos EUA. Ou seja, novamente voltamos ao complexo de vira-latas de tudo se pode lá fora, mas aqui no Brasil…
Um dos únicos clichês comentados que eu concordo é o do excesso de referências, se bem que apesar de concordar eu também tenho que colocar que não sei se o mesmo acontece tanto na literatura internacional, de modo que…
Finalmente chegamos ao último e um dos mais importantes, que é o da “ausência de elementos locais”. Eu acho interessante é que a pessoa que escreveu essas críticas não deve perder um episodio de inúmeros filmes e seriados dos EUA que, como Supernatural, Once Upon a Time e Deuses Americanos, se utilizam de figuras mitológicas de outras culturas, mas critique o escritor nacional, o qual acha que deve usar em sua história elementos do folclore brasileiro, mesmo que seu público leitor não tenha nenhum interesse no assunto. Claro! Realmente será assim que ele ou ela conseguirão que uma editora se interesse por sua obra!
Ou seja, inicialmente vamos deixar este maldito complexo de vira-latas e entender que o escritor nacional pode escrever sobre o que ele bem entender!
Eu mesmo comentei não faz muito tempo que, apesar do mercado considerar que vampiros estão fora de moda, no Wattpad tem histórias com mais de 1,4 milhões leituras e 129 mil curtidas, ou seja, muito mais do que muito best-seller. O que ele ou ela devem fazer, entretanto, é pesquisar muito, seja para escrever suas obras em sua cidade, no exterior ou num mundo imaginário criado por eles, que deve ter história, geografia, culturas e religiões determinadas, para não parecer só um rascunho malfeito. O mesmo eu digo a respeito de personagens (os quais devem ser tridimensionais), do gênero escolhido e da estrutura da história.
Se basear na Jornada do Herói não é algo ruim, tome cuidado com armadilhas de seguir o caminho mais fácil, pois elas levam aos clichês que estragarão sua história.
Quer algumas dicas a respeito? Então dê uma olhada nos inúmeros vídeos que lançamos a respeito no nosso canal do YouTube: https://www.youtube.com/@aliteracaoeditorial
Afinal de contas, como dizemos, ESCREVER É TÃO DIFERENTE DE ESCREVER PROFISSIONALMENTE QUANTO DIRIGIR UM CARRO É DE PILOTAR UM FORMULA 1.