AS LIVRARIAS FÍSICAS E O NOVO PARADIGMA DO MERCADO DE LIVROS

Esse é um assunto que desde que o. o dono da Martins Fontes lançou um artigo no Publishnews (Um manifesto a favor das livrarias falando sobre livrarias físicas que eu queria comentar. E como agora surgiu uma notícia dizendo que a Saraiva fechará suas lojas físicas, (Livraria Saraiva dispensa todos os seus colaboradores), resolvi fazer uma análise a respeito do que que está acontecendo.

E para fazer isso nós precisamos fazer uma análise considerando como era 30 ou 40 anos atrás, nos anos 80 ou 90.
Nos anos 80 ou 90 as pessoas tinham basicamente quatro opções para saber que algum livro novo tinha sido lançado:
(1) As colunas dos jornais, que comentavam a respeito no domingo;
(2) nas revistas em suas edições semanais;
(3) em algum programa de televisão, os quais também eram bastante raros;
ou (4) ir à livraria.
Ou seja, as pessoas, em sua maioria, faziam o que? Iam muito às livrarias para ficar sabendo das novidades.

Agora, com a popularização da internet (e olha que eu estou falando de uns 20 anos pelo menos), assim como das redes sociais e do YouTube, isso deixou de ser mais necessário. Para saber das novidades do mercado editorial as pessoas podem:
(1) Ir aos sites das editoras;
(2) Sem contar que surgiram os blogueiros literários (depois os BookTubers e os BookTokers), que leem e resenham os livros;
(3) Com as redes sociais, você pode simplesmente seguir as editoras que os lançamentos aparecerão em sua linha de tempo;
(4) Isso sem contar, obviamente, os grupos de leitores que se juntavam para discutir sobre livros novos.

E as livrarias começaram a perder seu apelo ao mesmo tempo que a Amazon chegava ao Brasil. Inclusive, é interessante que as mesmas pessoas que reclamam que a Amazon está acabando com as grandes redes (o que não é verdade. Porque grande parte disso é a própria falta de gestão das mesmas), também reclamaram como as grandes redes destruíram as pequenas livrarias. Essas mesmas pequenas livrarias, virtuais e físicas, estão usando a Amazon, como as próprias editoras, para venderem seus livros. E eu digo isso pois recentemente comprei dois livros na Amazon e, apesar de a compra ter sido feita no mesmo dia, os livros chegaram em dias diferentes, pois na verdade eram duas livrarias (pequenas) diferentes.

O que eu quero dizer é as livrarias físicas perderam o propósito. As pessoas não precisam mais ir lá para ficar sabendo dos lançamentos, não precisam mais ir lá para comprar, então o que as livrarias precisam fazer é mudar, como aconteceu com o trabalho de datilografo, que existiu até os anos 90, mas que com os computadores e programas como o Word, se tornou desnecessário. É se adaptar a este novo paradigma ou sentar e chorar (e deixar de existir).

Eu sei que mais simples botar a culpa na Amazon, mas se considerarmos que elas conseguiram chegar ao ponto em que estão consignando os livros, ou seja, só pagando as editoras depois que os livros já haviam sido vendidos, foi pura falta na administração das livrarias.
Até porque eu sei de distribuidoras que pediam retorno de todos os livros de todas as livrarias no final do ano exatamente porque algumas só faziam os acertos quando estavam sem dos livros em questão no estoque, podendo manter então o dinheiro devido à editora por meses…

Quer outro exemplo? No início dos anos 2000 eu era cliente assíduo da Cultura e me recordo que os vendedores me mandarem e-mails ou até ligarem (porque as livrarias têm registro dos clientes, com suas compras, inclusive), avisando que novos livros do tema ou gênero que eu gosto haviam chegado, se eu estava interessado.
Agora, o que houve com esses profissionais? Acontece que eles custam caro, então foram demitidos e outros, mais baratos, contratados. Eu já ouvi, inclusive, casos horríveis a respeito da Cultura. De vendedores pedido demissão depois de reuniões, de todos os vendedores de uma loja pedindo demissão de uma vez só… Aí os vendedores novos, que ganhavam menos, simplesmente pegavam o livro que o cliente queria, não fazendo nada além disso.

Ou seja, ao invés de continuar buscando atrair seus clientes (e procurar novos), ambas livrarias sentaram em seus tronos achando que, por serem líderes, os clientes iriam atrás delas. Um erro, especialmente com a Amazon batendo na porta.
Como já disse Winston Churchill “OS PROBLEMAS DA VITÓRIA SÃO MAIS AGRADÁVEIS DO QUE AQUELES DA DERROTA, MAS NÃO SÃO MENOS DIFÍCEIS.” Traduzindo: eles não souberam lidar com os problemas da vitória, agora estão tendo que lidar com os da derrota.

O que as livrarias físicas devem fazer, então? Se ressignificar! Como?
Vendo como é que eles podem chamar atenção do público? Como podem trazer o público de volta às livrarias? Quem sabe fazendo palestras, apresentando cursos, bate-papos, chamando clubes do livro para discutirem lá, blogueiros literários, BookTubers e Book Tokers para conversar sobre os livros que eles leem, chamando autores (eu sei que o autor nacional não, não é tão conhecido oi famoso quanto o internacional, mas… Porque é se adaptar ou fechar.

E olha que eu já tinha cantado a bota em relação à Saraiva quando eles começaram a vender seus ativos para ficar no azul. Me recordo que na época comentei que isso era como vender partes de seu automóvel para comprar combustível. Uma hora você não teria mais um automóvel.

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