Duologia Six of Crows e Crooked Kingdoom, de Leigh Bardugo – resenha de livro

Acontecendo alguns anos após a trilogia de Sangue e Ossos, a duologia de Six of Crows, apesar de acontecer do mesmo universo, o chamado Grishaverso, nada tem a ver com essa trilogia (ao menos no livro. Na série de TV os personagens do Six of Crows aparecem no que seria um prequel dessa duologia).

Esta série, contudo, está bem longe da primeira. Primeiro porque aqui não estamos mais em Ravka, mas em Kerch, uma ilha no meio do oceano (que chega a aparecer na trilogia de Sombra e Ossos).

E se em Ravka e em Sombra e Ossos o foco da história era a questão da guerra (civil e com seus vizinhos, Fjerda e Shu Han) e da criação da mitologia Grisha, com Alina tendo quase que salvar seu país, Six of Crows assim como Kerch, são completamente diferentes.

Kerch é uma ilha neutra e sua principal preocupação é comercial. Até a religião aqui é ligada ao comércio. E longe da dualidade de bem e mal apresentada em Sombra e Ossos, aqui não só os seis protagonistas, mas a ilha e a história como um todo, são recheadas de pessoas comuns, anti-heróis e mesmo vilões que, apesar de mal intencionados, também possuem um lado humano.

Apesar de Six of Crows acontecer após Sombra e Ossos, você pode lê-la sem medo mesmo que ainda não tenha lido a trilogia inicial. A história é totalmente independente e as referências praticamente autoexplicativas.

Agora, se você leu, vai notar algumas diferenças. Ao contrário do que aconteceu em Sombra e Ossos, em que a história era contada em primeira pessoa, só na visão de Alina, aqui, como são muitos protagonistas (seis) a história é apresentada em terceira pessoa, com cada capítulo apresenta a história pelo ponto de vista deste personagem.

A ideia é bem interessante, se bem que tem seus pontos negativos. Isso, pois ao invés de apresentar a história através deste narrador omnisciente, a autora faz questão de apresenta-la sempre através do ponto de vista do personagem. E se isso facilita a criação de uma ligação com todos os seis protagonistas, além de criar uma narrativa que algumas vezes é bem pesada, chegando a ser tediosa, as vezes é irritante, pois no meio ou pouco antes da ação, o personagem resolve lembrar de uma similaridade do que está acontecendo com seu passado e apresenta-lo ao leitor.

Mesmo assim a leitura, assim como os personagens e a ligação entre eles, é bastante interessante. Antes de falar da história, vou dar uma pequena prévia dos mesmos. Os seis fazem parte de uma gangue chamada corvos, parte de um grupo maior chamado Dredges.

Não se engane, apesar de um dos protagonistas, Kaz Brekker é o líder dos Corvos. Conhecido como Mãos Sujas e Bastardo do Barril, ele é um criminoso frio e vingativo que pensa sempre de maneira estratégica, buscando conhecer e antecipar os movimentos de seus inimigos. Apesar de sua frieza, apesar de não mostrar isso para seus colegas, ele é bastante humano, leal até, o que faz dele um personagem simples de se gostar (e de se odiar as vezes).

A mão direita de Kaz é Inej Ghafa, também conhecida como Espectro, uma ladra (e ocasional assassina), que Kaz usa para conseguir secretamente todas as informações que precisa sem que ninguém saiba. Muito habilidosa, Inej está sempre andando pelos telhados da cidade e prefere a solidão deles ao barulho e bagunça das ruas.

O próximo membro dos Corvos é Jesper Fahey, um atirador habilidoso com problemas de jogo (inclusive, isso é algo que veremos muito aqui, personagens humanos, imperfeitos) cujo grande amor são suas duas armas.

Depois de Jesper vem Nina Zenik, uma grisha sangradora que fugiu de Ravka (numa missão) e terminou preferindo ficar em Kerch. Isso, após ser capturada por drüskelle (caçadores de grishas/bruxas) fjerdanos e escapar sendo salva e salvando Matthias, um Drüskelle Fjerdano, que participa da captura, assim como do salvamento de Nina, se apaixona e vive uma relação de amor e ódio por ela (e por ele mesmo, o que o torna um personagem bem interessante).

Finalmente temos Wylan Van Eck, um garoto com problemas (ele é disléxico) que teve de fugir de passado privilegiado e agora ajuda Kaz criando bombas e outros artefatos. Apesar de seus talentos, sua bondade e moralidade muitas vezes dificultam sua convivência com seus colegas corvos, assim como sua vida no Barril (uma espécie de bairro pobre, quase uma favela, de Kerch).

Já sobre a história, a duologia de Six of Crows começa com Sangue e Mentiras.

Na história, um mercador oferece a Kaz um trabalho considerado impossível. Invadir uma prisão fortemente protegida em Fjerda, onde os Drüskelle guardam os grishas e resgatar (a palavra correta, na verdade, deveria ser sequestrar) um prisioneiro valioso em troca de mais dinheiro que ele se seus companheiros poderiam sequer sonhar (o que poderia mudar suas vidas).

Os seis, depois de muitos apuros, pois não só eles querem essa missão (o inimigo jurado de Kaz, Pekka Rollins, conhecido como O Rei do Barril, também quer esse dinheiro), seguem de barco para Fjerda e literalmente fazem das tripas coração para atingirem seus objetivos. Ou seja, se prepare para muitas reviravoltas em toda a história, mas no final dela especialmente.

O segundo livro se chama Crooked Kingdom: Vingança e Redenção

Havendo retornado de Fjerda, os corvos continuam tendo de lidar com as consequências do que aconteceu no livro anterior. Isso, pois além dos adversários de antes, novos surgem nesta segunda parte e todos os seis devem ser mais astutos que todos para sobreviver.

Em Vingança e Redenção você aprenderá muito sobre o passado dos protagonistas, o que os faz seguir em frente, seus objetivos e que não gostam de seu passado. Isso tudo tendo que quase que jogar xadrez não com um ou dois, mais inúmeros adversários ao mesmo tempo, o que dá a ideia de que os personagens estão saindo de uma encrenca somente para entrar em outra.

Como o nome diz, entretanto, o final da história é incrível! Apesar de emotivo, ele não é meloso, apresentando ótimas conclusões para o desenvolvimento de cada um dos protagonistas (não sem, como acontece em toda a duologia, muitas reviravoltas que o deixarão sem folego).

Deste modo, como eu comentei ao falar dos pontos negativos da história, como a trama é bastante focada nos seis protagonistas e o desenvolvimento deles é excelente, vale muito a leitura!

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