Antes de começar esse artigo eu estava pesquisando os movimentos do mercado literário/editorial exatamente para falar a respeito e foi quando percebi a necessidade de comentar a respeito desse assunto. Eu sei que muita gente não pensa, mas é complicado discorrer a respeito de um só assunto toda semana sem ser repetitivo. Especialmente porque eu não estou sempre apresentando notícias, mas trabalhando o assunto, ou falando do mercado de uma maneira geral, e apesar de concordar que atos isolados possam ter uma influencia em curto prazo, em médio e longo isso não é uma certeza, de modo que antes de falar a respeito se deve sempre considerar “para onde sopra o vento”.
O interessante foi que eu estava lendo alguns artigos falando de marketing editorial de grandes produtores de conteúdo do mercado literário e vi que eles estavam falando a mesma coisa que eu, que ia desde a dificuldade de predizer o que se tornará um best-seller no país, mesmo com o livro tendo uma venda interessante lá fora, até da necessidade da publicidade e marketing do livro ser algo que envolvam tanto a editora como o autor.
E como eu tenho visto que já há algum tempo essa é uma “tendência de mercado”, uma que eu não só já vi acontecer, mas também com a qual não concordo, eu decidi falar a respeito hoje. Isso, pois um dos maiores problemas pode acontecer a um mercado, especialmente um emergente, como o de literatura de gênero nacional, por exemplo, é a crítica desenfreada a qualquer um que chegou antes.
Se você segue o mercado já deve ter ouvido alguém fazer isso. Seja alguém falando mal de um escritor que conseguiu publicar um livro por uma editora grande, de uma editora que está publicando material nacional ou de um livro que está aparecendo na grande mídia e vendendo bem… Sempre terá alguém criticando.
Mas ao analisar o mercado você também tece críticas! – você pode comentar.
É verdade! Mas criticar a respeito de algo que está não está dando certo, sem mencionar nomes ou ficar apontando o dedo é uma coisa, fazer críticas destrutivas é outra completamente diferente, e sabe por quê?
Porque metaforicamente uma crítica destrutiva é semelhante ao passar uma rasteira num adversário para tomar seu lugar (ou porque ele não ajudou a pessoa que está criticando, ou aceitou publicá-la), algo que é ética e moralmente questionável.
E pior, e é aqui que chegamos ao cerne da questão, é que além dessa critica normalmente gerar uma resposta de força semelhante e sentido oposto (se você não se lembra de suas aulas de física, essa é a terceira lei de Newton, ou Princípio da Ação e Reação: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”), não importa se quem critica ou quem responde está certo ou não, para quem está de fora, seja pessoa física, empresa ou mídia que não conhece esse mercado, essa “briguinha” mostra desorganização, falta de unidade e de profissionalismo. Sem contar que afasta qualquer profissional sério que gostaria de investir na área, terminando não um tiro no pé, que já seria ruim, pois atrapalharia o mercado de andar como poderia, mas sim um ferimento que necrosa e leva a morte.
É assim que mercados que estão nascendo terminam por morrer antes de conseguirem “andar com as próprias pernas”. E muitas vezes para que eles retomem o fôlego e voltem a crescer demora não dez, mas vinte anos. Então pense bem antes de colocar seu dedo em riste e falar mal de alguém, ou mesmo de ‘curtir’ quem faz isso, porque apesar de isso parecer interessante num primeiro momento, em médio e longo prazo pode ser muito contraproducente, para o mercado de uma maneira geral e você, que muitas vezes ainda nem conseguiu fazer parte dele.