A crise e o mercado literário / editorial

Dizer que a crise chegou ao mercado editorial, como estão fazendo, é chover no molhado. Num pais em que mais de 60% da população, segundo dados do IBOPE, é analfabeta funcional (incapaz de compreender um texto simples) esse mercado, na realidade, nunca sequer saiu da crise! Não é a toa que ele é semelhante ao mercado editorial argentino, sendo que nossa população é praticamente cinco vezes menor a deles.

O que está acontecendo aqui é que as poucas pessoas que têm o habito da leitura estão sim sendo atingidas pela crise, de modo que o mercado editorial brasileiro está sim diminuindo.

Grandes redes estão fechando lojas, grandes grupos editoriais, como a Leya mais recentemente, mas antes a Saraiva e a Cultura e antes ainda a Saída de Emergência, que recentemente haviam começado a investir aqui, venderam ou estão fechando, procurando vender suas operações ou já saíram do Brasil.

E quem pensa que com o dólar alto (como se ele não estivesse assim há uns bons 7 ou 8 anos) as editoras apostarão mais no mercado nacional, como elas mesmas já me disseram, também pode tirar o cavalinho da chuva. Se nem quando o mercado estava melhor as editoras efetivamente faziam a propaganda e o marketing dos escritores nacionais que publicavam (essa é uma reclamação que eu ouço muito), não será agora que elas apostarão em literatura, preferindo livros de moda, como já aconteceu com os de colorir e os de youtubers, que já vem com uma quantidade de fãs que garantirá as vendas.

O triste aqui é que nem as editoras pensam nisso como uma carreira e nem os vlogueiros, que ganham dinheiro postando seus vídeos na internet, o que deixa aqueles que buscam ser profissionais da literatura sem ter o que fazer.

Mas então não tem jeito? Você vai perguntar.

Um jeito simples não!

Como eu já coloquei acima simples nunca foi! Mesmo quando a economia estava melhor, ou quando víamos os famosos “boons” de literatura de gênero, a maioria do que efetivamente vendia era importado.

É verdade que existem projetos para prestar serviços a escolas ou lançar projetos que incentivam a leitura, mas isso é para grandes editoras, não para escritores. A não ser que estes, que já possuem livros publicados, busquem suas editoras para se prontificar a ajudarem nas vendas de seus livros.

Ao escritor sozinho resta, se publicado usar a internet e as redes sociais com mais afinco e de modo mais focado, buscando com isso se apresentar e a sua obra a um possível público leitor; ou tentar publicar e-books ou em ferramentas como o Wattpad, buscando achar seu nicho de mercado.

Mas eu tenho de reforçar: Todas estas ações, sejam elas conjuntas com as editoras ou solitárias, pós ou pré-publicação, demandarão um trabalho hercúleo, especialmente agora que a economia está indo para uma crise maior ainda. 

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