Será mesmo que “tudo que é nacional é um lixo”?

Domingo passado, no artigo “A Universalidade e o Mercado Nacional”, eu falei a respeito de como o mercado ou as editoras tratam (ou maltratam) o escritor nacional de ficção. Está semana eu vou falar do que o público leitor, ou ao menos parte dele, acha do livro nacional.
Em sua maioria, inclusive, baseado na falta de divulgação ou em colocações irresponsáveis de alguns blogueiros e vlogueiros (ou booktubers como estes “profissionais da crítica literária” da Era da Informação são conhecidos agora).

Eu já comentei um pouco a respeito destes últimos num artigo, mas gostaria de me alongar a respeito, especialmente haver assistido a um vídeo em que um deles diz que “tudo que é nacional é um lixo”.
Novamente eu vou insistir: não são todos, mas existem sim aqueles que, como aconteceu no caso (e eu não vou apresentar o vídeo para não fazer propaganda de quem não merece) ao invés de fazerem um serviço sério e profissional, ao invés de ajudar o mercado dando dicas aos leitores preferem conseguir seguidores fazendo polêmica.

Porque eu não posso fazer muito quando uma pessoa qualquer, como eu já ouvi num evento, vem mostrar seu preconceito com alguma versão do infame “não li e não gostei” (que é mais ou menos o que este “tudo que é nacional é um lixo” diz), mas quando uma figura pública, e é isso que um booktuber é, faz isso, ele não está só apresentando um ponto de vista pessoal, mas mostrando o que outros podem tomar como uma verdade, a qual repetirão sem pensar (porque é assim que os preconceitos se propagam).
Imagine se eu viesse aqui e, para criar polêmica, soltasse que só porque um falou o que falou, todos os vloguers, sem exceção, só falam besteira e fazem isso só para se promover! Seria muita falta de responsabilidade, não é verdade?

É evidente que eu também sou contra o “vou comprar só porque é nacional”.
O mercado literário brasileiro tem crescido e se diversificado, e é evidente que, especialmente nestes tempos de autopublicação, tem material de baixa qualidade sendo publicado. Mas isso não quer dizer que não haja obras que valem a pena. E criticar sem conhecer é de uma irresponsabilidade sem tamanho!

E não se iluda achando que lá fora não são publicados livros sem qualidade! Inúmeras obras não vêm para o Brasil simplesmente porque as editoras, em especial as grandes que são quem importa a maioria dos livros, não acha que as obras farão sucesso. E não é porque os livros sejam ruins (o que pode acontecer), mas simplesmente porque não são os famosos “best-sellers”.
E mesmo assim algumas vezes a falta de divulgação faz com que o sucesso não aconteça e o livro, que muitas vezes virou filme e veio para o Brasil, termine encalhando.

Como eu já comentei mais de uma vez, enquanto os escritores nacionais ficam às moscas, as editoras do norte da Europa, por exemplo, criam o fenômeno do “Scandi Crime” para obter sucesso internacional e vender mundo afora títulos como As Vacas e Stalin ou Expurgo, já publicados até aqui no Brasil.
Então, você blogueiro, vlogueiro e mesmo leitor comum, ao invés de vir com esse preconceito de que “tudo que é nacional é um lixo” ou “não li e não gostei”, procure nas estantes das livrarias, fale com os vendedores, vá aos sites das editoras atrás de obras do gênero de literatura nacional que você gosta. Você poderá se surpreender!

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