Como escrever & como publicar – parte 6

Agora, você pode estar se perguntando “O que são reviravoltas e porque três são necessárias?”

A pior coisa que pode acontecer numa história é ela ser previsível.

Lembra aqueles filmes de terror para adolescentes que ficaram famosos nos anos 80 e 90? Aqueles que um grupo de jovens estava enfrentando algum vilão estranho e, sempre que um deles se separava do grupo você pensava “Ih, esse vai morrer!” E não dava outra, ele morria. Mas você sempre sabia que sobraria um casal de protagonistas, que terminaria por virar o jogo e derrotar o vilão.

Ou seja, quando a coisa virou moda perdeu a graça, porque o publico normalmente sabia o que ia acontecer e quando a coisa ia acontecer.

É exatamente para isso que servem as reviravoltas, para deixar a história emocionante. Para deixar o leitor nas pontas dos pés, sem saber o que acontecerá em seguida. Sobre a quantidade, não é que três deve haver só, ou pelo menos três, mas que, para a história não ficar entediante, no mínimo duas são necessárias…

É claro que também não se pode exagerar. Um exemplo disso eu vi acontecer numa história em que uma personagem é dada como morta no meio e retornar no fim, pois arrancou um dente a sangue frio com um alicate só para enganar os demais personagens.

Isso é total e completamente inverossímil, para não dizer absurdo. E pior, quando acontece o leitor normalmente tem a ideia de que foi passado pra trás, foi enganado, feito de trouxa. E como ninguém gosta disso, a ideia é não exagerar, ou ao menos tentar ser verossímil em suas reviravoltas.

Livros, na verdade, não são bolos, que devem ter uma receita. O que você deve conhecer, ou melhor, saber usar, são as ferramentas de escrita, para com elas criar algo original e inusitado.

É como outra ferramenta, chamada de Cena e Sequência. A ideia aqui é cortar a cena antes do seu final, dando continuidade a outro foco da história e deixando com isso deixar o leitor curioso com o que acontecerá na sequência.

A ideia é ótima! Diversos escritores, na realidade, aliam esta ferramenta a um estilo de estruturação chamado “Jogo de Xadrez”, em que o foco da história e dividida entre o protagonista e o vilão, com um capítulo para cada (daí o nome, pois cada lado sempre faz uma jogada), de modo que o resultado da ação sempre ficará após o capítulo do adversário. O problema é que ficar fazendo isso durante toda a história pode cansar o leitor.

Outro exemplo, e olha que eu já disse a respeito disso mais de uma vez, é a famosa Jornada do Herói. Considerada o “monomito”, “a estrutura por trás de todas as histórias”, essa ferramenta de criação e estruturação não basta para que sua história seja boa. Quer dizer, você precisa acrescentar mais coisa além da Jornada, usando-a somente como uma base para sua história. Porque senão o leitor vai terminar a leitura com aquela sensação de “é só isso?”

Ou seja: não basta conhecer as ferramentas, mas praticar com elas de modo, mesmo usando ferramentas padrão para 90% das histórias e mesmo assim se crie algo original, único.

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