Dicas de Escrita #2 – Falando de Estruturação

Normalmente eu começaria as dicas falando a respeito do mercado, da maneira como o conhecemos pode influir na sua história. Mesmo assim, dando continuidade à minha dica anterior, hoje vou falar um pouco a respeito de estruturação.


Digo um pouco, pois é de uma maneira geral. Isso porque alguns dos livros que li e resenhei, mesmo sendo autores best-sellers, sofrem com alguns problemas de sérios de estruturação.


Elas começam bem, mas nas questões de apresentação dos personagens, da trama e do mundo, ultrapassam do primeiro terço da história e se estendem em uma enorme enrolação, até quase no final do livro.


Quero dizer com isso é que, independentemente do gênero ou subgênero que esteja escrevendo, toda história deve, ou deveria em tese, seguir basicamente dois tipos de estruturação:


– A Jornada do Herói.

– A estruturação baseada no teatro clássico (grego), que foca na divisão da história em três partes:
Apresentação; Desenvolvimento e Conclusão.

Detalhe que cada divisão dessa estruturação é pautada por três grandes reviravoltas inseridas na história.


Apesar de serem semelhantes, podem ser utilizados dentro da história, ao mesmo tempo até.
Apesar disso, ao analisarmos a Jornada, dentro dela também possui três grandes subdivisões:

– A primeira parte da história acontece no chamado “mundo comum”;

– Quando o herói aceita o “chamado para a aventura” e ele “cruza o limiar” e vai para o “outro mundo”, isso é uma reviravolta;

– E depois de superar a provação e obter o “elixir”, ele retorna para o “mundo comum”, em outra reviravolta.

Ou seja, com estas três subpartes, é possível utilizar as duas estruturas (Jornada e Teatro Grego) ao mesmo tempo.


Um ponto aqui.

O fato dessas duas grandes reviravoltas, que dividem as três grandes partes da história, serem necessárias, isso não quer dizer que devam ser as únicas. Elas só devem existir e criar essa divisão.

Agora, se formos considerar, nada do que digo é novo. E eu não falo isso por conta da existência do Teatro Grego que remota mais de dois mil anos. Ou mesmo, que a Jornada do Herói existe há milhares de anos, e acompanha a Humanidade desde o tempo remoto dos primeiros caçadores, que contavam suas histórias para a tribo em torno da fogueira. Mas sim porque a maioria de nós ouviu de nossos professores de português (especialmente quando tínhamos que fazer o vestibular), que “toda redação deve ter três grandes divisões: a apresentação, o desenvolvimento do tema e a conclusão.”


Então, não queira fazer o mesmo que esses escritores que acreditam que podem enrolar por 100, 150, a até mais de 200 páginas, para depois apresentar um final cheio de reviravoltas, apresentando nos últimos capítulos do livro toda a ação que deveria ter sido distribuída por toda a história.


Até porque não interessa o quão sólido seja seu nome e reputação, muitos leitores enxergarão além dele e terão a coragem de criticar quando você fizer isso.

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