Sombra e Ossos é a história de Alina Starkov e Malyen ‘Maly’ Oretsev, dois órfãos que quando a trama começa estão no exército de Ravka. Isso, poiso reino que se encontra tanto numa espécie de guerra fria com os reinos de norte, Fjerda e do sul, Shu Han, como por ser é dividido pela Dobra das Sombras (ou Não Mar, uma faixa de escuridão quase impenetrável dominada por monstros) da chamada Ravka do Oeste, essa parte do reino que está separada da capital também tem planos de independência.
Alina e Mali, na verdade, fazem parte do chamado primeiro exército, pois em Sombra e Ossos existem duas forças militares, o primeiro exército, que é regular, e o segundo exército, que é composto por Grishas, pessoas com habilidades especiais semelhante a magia, embora na história não sejam considerados como tal, tanto que são chamados de “a Pequena Ciência”.
Dentre as habilidades dos Grisha estão manipular o fogo, a água, o ar (ou o vento), assim como ferir e curar, manipular sombras (no caso do General Aleksander Kirigan, comandante do Segundo Exército e Conjurador de Sombras, também conhecido como Darkling) e a luz.
Apesar do fato de os dois protagonistas serem órfão ser um tanto clichê, e dela ser secretamente apaixonada por ele, outro clichê, a história começa interessante, pois Alina, que é cartógrafa, e Maly, um rastreador, são enviados para Ravka do Oeste através da dobra e é quando, após serem atacados, ela descobre ser a esperada Conjuradora do Sol, uma Grisha única com a habilidade de controlar a luz.
Além disso, a história é interessante, pois é uma fantasia que sai da Europa, apresentando como base a cultura russa. O nome Grisha, inclusive, depois você vai descobrir, é um diminutivo, típico na língua russa, de Grigori, pois o primeiro Grisha foi Sankt Grigori.
Inclusive, essa questão dos nomes, dos santos, a comida apresentada e mesmo a espiritualidade, é típica da Rússia. Um ponto positivo, pois a relação que Leigh Bardugo faz dos Grishas com os santos é excepcional.
Mesmo assim a história tem seus altos e baixos, ou partes mais maduras e mais imaturas (até por ser uma obra para o público juvenil), pois Alina algumas vezes parece mais uma adolescente na escola do que efetivamente alguém que já trabalha no exército.
Ela, inclusive, para uma protagonista que evidentemente será poderosa, sofre de um complexo de inferioridade e de autocomiseração que algumas vezes chegam a ser irritantes. Se bem que, lendo o segundo livro, até dá para entender que a autora estivesse tratando da “Síndrome do Impostor”. Imagino que tenha gente, especialmente de gerações mais novas, que se identifique com isso, mas eu não me identifiquei. Achei que a protagonista podia ter resolvido a questão ainda no arco do primeiro livro, o que não acontece, mas…
De qualquer modo eles estão atravessando a Dobra de Sombra (que até por ser o ponto focal da história, poderia ser melhor descrita, para que o leitor realmente sentisse o terror que deve ser ter de atravessá-la) quando Alina se descobre Grisha e é enviada para Os Alta, a capital, para aprender a trabalhar seu dom.
Este é outro ponto baixo da história, pois eu pensei que ao ter de contracenar com o rei, a rainha, assim como outros Grishas, elementos de intriga e de política seriam introduzidos na história. O que vemos acontecer, contudo, é quase como se os dois protagonistas retornam à escola, com aquelas briguinhas para saber quem é a menina mais bonita, a mais poderosa, a mais popular. E com Maly, que nunca se declarou para Alina, se ressentindo pela atenção que o Darkling dá a ela (o que apesar de novamente ser um clichê, eu creio que vá causar muita empatia nos leitores mais jovens).
Esse porto, inclusive, que termina por tomar praticamente todo meio da história, me decepcionou um pouco. De qualquer maneira a trama segue cheia de reviravoltas (e eu evidentemente não vou contar o final) com o Darkling buscando o Veado de Morozova, uma criatura mítica para fazer um amplificador (uma espécie de amuleto que aumenta o poder do Grisha que o reivindica), para que Alina consiga mais poder de modo a, segundo ele, destruir a Dobra. Assim, eu diria que para jovens, assim como para o público feminino, a história é bem interessante. Do mesmo modo que para quem gosta de fantasia (apesar de a mesma ser meio tarde, se passando eu diria que por volta do que seria os séculos XVIII e XIX), apesar de ter de ler essas partes mais imaturas da trama e dos personagens, é uma boa história e vale a leitura.