Normalmente quando se ouve alguém falar, ou mesmo quando se pensa a respeito do processo de escrita, a palavra que nos vem à mente é ‘solidão’. Mesmo nestes tempos de redes-sociais, o ofício da escrita é tido como um para os chamados “lobos solitários”.
Muitos escritores profissionais comentam que, para passarem as ideias “para o papel”, se trancam em algum cômodo por um período que pode ir de duas à até doze horas por dia.
Na realidade, como é muito raro o autor viver de sua escrita, o processo é complicado, mesmo, ou especialmente para os iniciantes, pois a maioria de seus amigos e família considera que ele poderia estar fazendo algo ‘útil’. Não é à toa que uma de minhas primeiras postagens a respeito, ainda em janeiro de 2012, muito antes de criar o Aliteração, foi de que:
“É engraçado – sua família pode adorar leitura, mesmo assim, quando vai escrever, as vezes tem de ouvir: “já está de novo na frente deste computador!”– Eu não entendo, será que as pessoas acham que os livros se escrevem sozinhos?”
E pode acreditar que eu escrevi isso porque senti na pele a situação.
Agora, o que poucos sabem é que quando falamos do mercado internacional, apesar do processo de escrever continuar sim algo solitário, o conjunto do trabalho está longe de o ser. Leitores críticos, Agentes literários, Associações de escritores…
E isso é só o começo, pois em países em que existem cursos universitários e de pós-graduação em escrita profissional, de modo que quem está começando consegue muita ajuda.
Por que estou comentando a respeito?
Porque há algum tempo eu participei de uma reunião de leitores e escritores e uma das ideias que surgiram e que eu achei não só bastante interessante, como também que falta aqui no Brasil é uma instituição séria que não somente represente os escritores, que ajude quem está começando, mas também que uma a classe dos escritores. Afinal de contas, o fato de um ou outro publicarem antes, ou conseguirem “mais tempo sob os refletores” não faz dele ou dela um concorrente, mas um aliado na prova de que o escritor brasileiro pode ter a mesma qualidade e ser tão comercial quanto são os internacionais.
E também porque, como já coloquei em textos anteriores, já eu cansei de ver regras de criação literária muitas vezes desatualizadas, para não dizer falsas e inventadas, repetidas a exaustão por gente que prefere colocar um “escritor” antes do nome do que efetivamente se tornar um profissional de escrita.
Então, vamos formar grupos (não só aqueles de internet, no qual todos praticamente só postam o que eles acham interessante e não veem o que os demais escritores estão postando) para conversar, discutir, nos ajudarmos. Muito melhor do que caminhar sozinho, afinal de contas, é caminhar em grupo. Até porque a vitória de um colega escritor, não quer dizer nossa derrota, mas efetivamente uma possível porta aberta para os demais escritores.
Pense nisso e nos procure. Quem sabe não começamos a formar um grupo de escritores sérios que se ajudem uns aos outros.