Analisando o estudo de caso apresentado no artigo passado, eu percebi que outra grande dualidade além do ‘escritor e editora’ é a ‘livraria e leitor’. Mais do que outros “lados da moeda”, ‘escritor’, ‘editora’, ‘livraria’ e ‘leitor’ são na realidade incógnitas da equação que é o mercado editorial.
No artigo passado eu comentei a respeito de uma situação de mercado usando um estudo de caso como base. O foco era produção, publicação e marketing. Desta vez eu analisarei a questão de outro ângulo, falando de vendas e leitura, e trabalharei outro exemplo mostrando como o mercado editorial pode ser complexo, para não dizer escorregadio.
Porque se falarmos da falta de profissionalização do escritor brasileiro, também temos de considerar que compará-lo ao autor internacional traduzido não é justo. Como já comentado anteriormente, as editoras nacionais raramente empreendem, dando clara preferência à best-sellers ou livros que vendam sem que publicidade ou marketing sejam necessários. Ou seja, o que chega aqui é só o que de melhor em vendas. Livros que muitas já estão para virar série ou filme. E convenhamos, assim é fácil vender!
E a questão não para ai. Porque se editoras não investem em autores nacionais, tampouco o fazem as livrarias, cujas seções dedicadas à literatura nacional normalmente são ínfimas. E é aqui que chegamos ao estudo de caso (na verdade eu deveria dizer casos, tendo em vista que aconteceu mais de uma vez):
Só nestes últimos trinta dias foram duas vezes pelo menos se comentou nas redes sociais que depois de enviados às livrarias, livros de autores nacionais começaram a vender extremamente bem. Após alguns pedidos, tanto editoras como escritores tiveram a ideia de questionar se as livrarias não gostariam de marcar algum evento com o autor. Foi quando estas perceberam que, devido aos nomes dos escritores, por engano as obras haviam sido colocadas na seção errada: os importados. Corrigido o engano, o que aconteceu? As obras encalharam!
Por quê?
Porque não só a editora e a livraria, mas também o leitor brasileiro é preconceituoso!
Inclusive, essa não é a primeira nem a segunda vez que eu comento a respeito aqui no Aliteração. Em diversos textos eu escrevi falando a respeito dessa ideia equivocada de que “todo escritor nacional é ruim”.
Eu sei que muitas campanhas já foram feitas escritores, blogs literários, da grande mídia até, tentando acabar com esse preconceito, mas a impressão que dá é que nunca é o bastante!
Além disso, o que se pode fazer é você escritor profissionalizar-se. E para isso você deve procurar livros e cursos que o ajudem a melhorar seu estilo, fazer muita pesquisa antes de durante o processo de criação do livro, buscar profissionais do meio editorial para fazerem leituras críticas de sua obra antes de considerá-la pronta para publicação… Porque se cada um de nós tentarmos mudar, os leitores, livrarias e editoras terminaram mudando também.
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